Dificuldades ou transtorno de aprendizagem? Como identificar os sinais e apoiar o seu filho

A identificação precoce das dificuldades ou transtornos de aprendizagem é fundamental para garantir o sucesso acadêmico e emocional das crianças.

* Por Dilaine Alves, Psicopedagoga Clínica e Institucional

A identificação precoce das dificuldades ou transtornos de aprendizagem é fundamental para garantir o sucesso acadêmico e emocional das crianças. Embora ambos os fenômenos possam afetar o desenvolvimento escolar, entender suas diferenças e como tratá-los pode fazer toda a diferença no processo de aprendizagem.

O que são dificuldades de aprendizagem?

As dificuldades de aprendizagem são comumente resultantes de fatores externos, como métodos pedagógicos inadequados, ambientes escolares desfavoráveis ou questões familiares. Estas dificuldades podem ser temporárias e, com a intervenção correta, superadas. Adaptações no ensino, apoio emocional e modificações no ambiente escolar costumam ser eficazes para mitigar esses obstáculos.

Causas e impacto das dificuldades de aprendizagem

De acordo com especialistas como Piaget e Vygotsky, a aprendizagem é uma habilidade natural da criança, que busca entender o mundo ao seu redor. Contudo, quando surgem barreiras no processo cognitivo sejam devido a aspectos emocionais, sociais ou pedagógicos, é essencial que pais e educadores ajam rapidamente para ajustar as estratégias de ensino.

Além disso, problemas físicos ou sensoriais, como dificuldades auditivas ou visuais não identificados, podem afetar a capacidade de aprender de uma criança, dificultando o desenvolvimento da linguagem e da leitura.

Os transtornos de aprendizagem: como identificá-los?

Ao contrário das dificuldades de aprendizagem, os transtornos de aprendizagem possuem uma base neurobiológica e são persistentes. Condições como dislexia, disgrafia e discalculia afetam diretamente as habilidades cognitivas da criança, comprometendo habilidades essenciais como leitura, escrita e matemática, independentemente do esforço ou da qualidade do ensino. Esses transtornos se manifestam de maneira mais clara à medida que as exigências acadêmicas aumentam, tornando-se mais evidentes durante o ensino fundamental.

Principais sinais dos transtornos de aprendizagem

É importante que pais, educadores e profissionais fiquem atentos aos sinais que podem indicar a presença de um transtorno de aprendizagem, como:

  • Dificuldade significativa em ler e compreender textos.
  • Erros frequentes de ortografia e gramática, mesmo com práticas constantes.
  • Escrita desorganizada e ilegível.
  • Dificuldade com conceitos matemáticos, comprometendo até operações simples.
  • Baixa velocidade e precisão na leitura, dificultando a execução de tarefas básicas.

Esses sinais, além de prejudicar o desempenho acadêmico, podem afetar a autoestima da criança, contribuindo para quadros de ansiedade e desmotivação.

Como os pais podem ajudar?

Identificar sinais de dificuldades de aprendizagem precocemente é essencial para que a criança receba o apoio adequado. Aqui estão algumas atitudes que os pais podem adotar:

  1. Observe o desempenho da criança em atividades cotidianas: Caso haja dificuldades frequentes em tarefas que são apropriadas para sua idade, é um sinal para investigar mais a fundo.
  2. Comunique-se com a escola: Os professores e coordenadores pedagógicos são essenciais na observação do progresso escolar e podem auxiliar na identificação precoce de dificuldades.
  3. Busque ajuda especializada: Psicopedagogos, psicólogos e neuropsicólogos são profissionais capacitados para avaliar e diagnosticar dificuldades e transtornos de aprendizagem, indicando as melhores estratégias de intervenção.
  4. Investigue a possibilidade de transtornos específicos: Se as dificuldades persistirem, pode ser necessário realizar testes especializados para identificar transtornos de aprendizagem, como dislexia ou discalculia.

O papel do psicopedagogo no tratamento

O psicopedagogo tem um papel crucial na avaliação e intervenção das dificuldades de aprendizagem. Ele atua como um mediador entre a criança, a família e a escola, realizando diagnósticos e propondo planos de intervenção que atendam às necessidades individuais da criança. Com um acompanhamento adequado, o psicopedagogo utiliza métodos personalizados para promover o desenvolvimento acadêmico e emocional da criança, garantindo que ela tenha o apoio necessário tanto na escola quanto em casa.

Como a nossa clínica pode ajudar?

Na Clínica Rezende, oferecemos acompanhamento especializado para identificar e tratar as dificuldades de aprendizagem de forma eficaz. Com uma abordagem integrada, focada em cada caso, garantimos que seu filho receba o suporte necessário para superar os desafios acadêmicos e se desenvolver de forma saudável e equilibrada.

Se o seu filho apresenta sinais de dificuldades de aprendizagem, não hesite em procurar orientação profissional. Nosso objetivo é trabalhar juntos, família, escola e clínica, para proporcionar à criança as melhores condições de aprendizagem e desenvolvimento.

Entre em contato conosco e agende uma avaliação!

Referências Bibliográficas

 AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. Tradução de M. I. C. de Jesus et al. Porto Alegre: Artmed, 2014. (Trabalho original publicado em 2013).

BOSSA, Nádia. O psicopedagogo e o trabalho com as dificuldades de aprendizagem. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007.

CAPOVILLA, F. C.; CAPOVILLA, A. G. S. Dislexia: Aspectos teóricos e terapêuticos. São Paulo: Artmed, 2010.

COLL, C.; PALACIOS, J.; MARCHESI, A. Desenvolvimento Psicológico e Educação: Necessidades Educativas Especiais e Aprendizagem Escolar. Porto Alegre: Artmed, 2004.

FONSECA, V. Dificuldades de Aprendizagem: Abordagem Neuropsicológica e Psicopedagógica. Porto Alegre: Artmed, 1995.

GEARY, D. C. Cognitive predictors of achievement growth in mathematics: A five-year longitudinal study. Developmental Psychology, v. 40, n. 4, p. 973–983, 2004.

GEARY, D. C. Mathematical Disabilities: A Cognitive Neuroscience Perspective. Educational Psychologist, v. 39, n. 1, p. 13-27, 2004.

PIAGET, J. A Epistemologia Genética. São Paulo: Abril Cultural, 1975.

SHAYWITZ, S. E. Overcoming Dyslexia: A New and Complete Science-Based Program for Reading Problems at Any Level. New York: Knopf, 2003.

VYGOTSKY, L. S. A Formação Social da Mente: O Desenvolvimento dos Processos Psicológicos Superiores. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

Ler e Escrever como um processo natural – será?

Ler e escrever são habilidades que fazem parte de um processo construído com estímulo adequado e direcionamento bem específico, com pré-requisitos a serem alcançados ao longo da caminhada da aprendizagem…

* Por Luciana Bacellar

Ler e Escrever como um processo natural – será?

“Só 15% dos problemas dos alunos correspondem a distúrbios orgânicos” (1).

Ler e escrever são habilidades que fazem parte de um processo construído com estímulo adequado e direcionamento bem específico, com pré-requisitos a serem alcançados ao longo da caminhada da aprendizagem.

A leitura é uma atividade que pode estar agrupada em dois níveis: a decodificação, que permite o reconhecimento das palavras, traduzindo a letra impressa/escrita para a linguagem oral (grafema-fonema); e a compreensão, que possibilita a assimilação de uma palavra, frase ou texto. A escrita corresponde a codificação dos sons da linguagem oral em sinais escritos (correspondência fonema-grafema).

São cinco os pré-requisitos para aquisição da leitura e da escrita:

  1. Um desenvolvimento linguístico adequado – conseguir se expressar e compreender de forma clara, trocar informações;
  2. Consciência fonológica – que é a habilidade de reconhecer e memorizar os sons, sílabas e palavras e usar esse conhecimento na troca de informações;
  3. Capacidade de memória visual e auditiva;
  4. Capacidade de atenção;
  5. Coordenação viso motora.

As dificuldades na leitura e na escrita comprometem todo o processo de aprendizagem, dificultando o sucesso escolar da criança.

  • Orientações para aos pais:
  • estimular a autoestima;
  • criar um ambiente calmo;
  • estimular brincadeiras com música e rima;
  • incentivar a prática de exercícios físicos e atividades culturais;
  • realizar jogos;
  • participar da criação de listas como de compras tarefas;
  • pedir repetição do comando verbal (o que eu lhe mandei fazer?) antes de executar a tarefa.

O papel do fonoaudiólogo não preconiza a identificação de problemas, mas tem como foco a promoção da saúde junto a alunos, pais e toda a comunidade escolar, assim como o desenvolvimento de estratégias educacionais com o objetivo de otimizar o processo de ensino-aprendizagem.

Portanto, ao perceber qualquer dificuldade nas aquisições, seja de leitura ou de escrita, procure apoiar e buscar ajuda. São processos que necessitam de acompanhamento de todos os que convivem com a criança e que desejam seu sucesso.

REFERÊNCIAS:

  1. Jaime Luiz Zorzi, fonoaudiólogo, em entrevista para o site: novaescola.org.br (agosto/2006).

O cuidado multidisciplinar.

O trabalho organizado com equipe multidisciplinar surge como possibilidade de integrar os vários conhecimentos específicos, enriquecendo a compreensão de quem é atendido por esse tipo de abordagem e assim ampliando a eficácia interventiva.

* Por Diana Lopes

O cuidado multidisciplinar tem se tornado cada vez mais importante para melhores resultados dos pacientes. Leia esse texto e entenda um pouco sobre o cuidado multidisciplinar.

A crescente especialização no campo da ciência e tecnologia exigiu que profissionais de todas as áreas aprofundassem em áreas ainda mais particularizadas. Extremamente importante para aprofundar o conhecimento e as intervenções do saber específico de cada profissão, isto gerou respostas eficazes e, podemos dizer, conhecimentos mais
precisos. Como consequência natural desse movimento também gerou fragmentação do saber e em ações isoladas nas mais diversas áreas. Neste ponto é necessário nos apropriar de um dilema sobre essa evolução no campo cientifico e tecnológico: como integrar todos conhecimentos específicos?

Cuidado multidisciplinar e a área de saúde

Tá, e o que área de saúde tem com isto?
Bem, nas áreas de maquinarias e tecnologia vimos uma crescente tendência a prestação de serviço entre as instituições como forma de resolver a fragmentação de conhecimentos. Esta lógica também se aplicou na área de saúde e é uma pratica comum. Temos consulta com cardiologista, com neurologista, com psicólogo, com nutricionista, com fisioterapeuta, etc.

Especialidades

Ok, mas qual o problema de ter varias especialidades?
Quando esta prática é utilizada na área de saúde nos deparamos com um detalhe importante: O SER HUMANO. A complexidade humana exige consideração de um modo mais integral de olhar para a saúde. Estes conhecimentos especializados tão importantes nos faz , por exemplo, tomar medicação do cardiologista, mais medicações do neurologista, mais adoção de novos comportamentos a partir do trabalho com psicologo,
mais dieta prescrita por nutricionista, mais o conjunto de exercícios sugeridos pelo fisioterapeuta, e assim por diante. Será que isto resultaria em uma sobreposição de abordagens? Sobreposições de prescrições medicamentosas? Interferências e incongruências entre as várias condutas clínicas? Resposta, bem provável.

O trabalho da Equipe multidisciplinar

Humm, o que isto tem a ver com equipe multidisciplinar? O trabalho organizado com equipe multidisciplinar surge como possibilidade de integrar os vários conhecimentos específicos, enriquecendo a compreensão de quem é atendido por esse tipo de abordagem e assim ampliando a eficácia interventiva. Uma equipe que trabalha deste modo admite que o ser humano, cujo processo de vida envolve diversas dimensões  complementares, necessita mais que as especializações isoladas. Assume
que a especificidade profissional não consegue dar resposta a uma multiplicidade de fatores intrínsecos associados a situações de doença e de que é preciso somar saberes para dar respostas efetivas e eficazes aos problemas complexos que envolvem a perspetiva de qualidade aos pacientes.

O cuidado multidisciplinar na prática

A equipe multidisciplinar mantém as suas atuações específicas, mas reúnem-se periodicamente para a troca de informações dentro de áreas de interseção, articulando-se, tendo como base a consciência que emerge no “confronto” com as práticas. O trabalho considera o paciente como um todo, numa atitude humanizada e uma abordagem mais ampla e resolutiva do cuidado. Através do estudos dos casos constrói-se caminhos que visam abarcar a eficácia e a qualidade na área da saúde, desta forma,
pode emergir condutas mais apropriadas aos atendimentos e maior organização do trabalho interventivo.

E realmente funciona o cuidado multidisciplinar?

Sim, vários estudos têm demonstrado significativas limitações na abordagem unidirecional e fragmentada de qualquer vertente, ressaltando a importância dos múltiplos fatores envolvidos e de uma visão global e integral, seja na prevenção, no diagnóstico, na intervenção/tratamento, seja na reabilitação dos doentes. Mas um alerta é importante, existem muitas clínicas que oferecem varias especialidades em um mesmo espaço, mas
isto não quer dizer que tenham uma estruturação do serviço de modo multidisciplinar.

Orientamos que busque conhecer bem a proposta e os profissionais da clínica como um todo e o que caracteriza a prática oferecida.

E agora um recado final: destacamos que a importância deste tipo de abordagem tem sido documentada cientificamente, evidenciando melhor serviço aos pacientes, beneficiando estes mais quando os profissionais de saúde trabalham em conjunto. Na Clínica Rezende a incorporação desse novo modelo no atendimento em saúde capacita o profissional a ter
uma percepção mais abrangente, dinâmica, complementar, integrada e humanizada, que retrata uma realidade necessária para se oferecer ações que visam melhorar a qualidade de saúde e de vida das populações em geral.
Essa é uma inovação que propomos e temos profissionais que tem experiencia em envolver múltiplos saberes e ações de saúde que dizem respeito aos conhecimentos e práticas de diversos profissionais: enfermeiros, médicos, psicólogos, nutricionistas, etc.
Estamos atentos as tendências em saúde de acordo com as necessidades e a
complexidade humana.

Clique para ler mais sobre equipe multidisciplinar.

Referências bibliográficas:

ARAÚJO, M.; ROCHA, P. (2007) – Trabalho em equipe: um desafio para a consolidação da estratégia de saúde da família. Revista Ciência e Saúde Colectiva, (12) 2.

COSTA, R. (2007) – Interdisciplinaridade e equipes de saúde: concepções. Barbacena: Revista Mental, (5) 8.

PEDUZZI, M. (2001) – Equipe Multiprofissional de Saúde: Conceito e Tipologia. São Paulo: Revista de Saúde Pública, (35) 1.