A moda das proteínas: uma crítica nutricional comportamental.

A obsessão contemporânea por proteínas, impulsionada pela indústria  alimentícia e disseminada por uma cultura cada vez mais fitness, tem transformado a alimentação em uma busca incessante por um único macronutriente.

* Por Felipe Barreto, Nutricionista.

Introdução

A obsessão contemporânea por proteínas, impulsionada pela indústria  alimentícia e disseminada por uma cultura cada vez mais fitness, tem transformado a alimentação em uma busca incessante por um único macronutriente. Essa fixação, que encontra eco na criação de produtos como a cerveja proteica, merece uma análise crítica sob a perspectiva da nutrição comportamental.

A Proteína como Protagonista: Uma Narrativa Simplificada

A proteína, indiscutivelmente importante para o organismo, tornou-se o centro das atenções, relegando outros nutrientes a um segundo plano. Essa simplificação da  alimentação, que reduz a complexidade de uma dieta equilibrada a uma única molécula, é um reflexo da nossa cultura fast-food, onde a busca por soluções rápidas e eficazes se sobrepõe à compreensão profunda dos processos nutricionais.

A indústria, nesse contexto, atua como um mestre da manipulação comportamental. Ao criar produtos com alto teor de proteína, ela não apenas atende a uma demanda latente, mas também a amplifica, transformando a proteína em um símbolo de status e de saúde. A cerveja proteica, por exemplo, é um exemplo claro dessa estratégia: um produto que tradicionalmente não é associado à nutrição é revestido de um novo significado, atraindo consumidores em busca de um estilo de vida mais saudável.

O Foco no Nutriente em Detrimento do Alimento

A ênfase excessiva na proteína desvia o olhar do alimento em si, com todas as suas nuances sensoriais e culturais. György, em sua obra, nos lembra que a alimentação é muito mais do que a soma de seus nutrientes. É uma experiência social, cultural e sensorial que influencia profundamente nossa saúde e bem-estar. Ao reduzir o alimento a um mero  veículo de nutrientes, perdemos a oportunidade de apreciar a diversidade culinária e de estabelecer uma relação mais saudável com a comida.

Essa obsessão pela proteína também pode levar a comportamentos alimentares inadequados. A busca incessante por alimentos ricos em proteínas pode levar à exclusão de outros grupos alimentares importantes,como frutas, legumes e grãos, resultando em uma dieta desequilibrada e com deficiências nutricionais.

A Nutrição Comportamental e a Desconstrução dos Mitos

A nutrição comportamental nos oferece ferramentas para entender os mecanismos que levam as pessoas a fazerem escolhas alimentares nem sempre saudáveis. Ao desconstruir os mitos em torno da proteína e ao promover uma abordagem mais holística da alimentação, podemos ajudar os indivíduos a desenvolver hábitos alimentares mais saudáveis e sustentáveis.

Algumas estratégias que podem ser utilizadas pelos nutricionistas comportamentais incluem:

  • Educação nutricional: Promover o conhecimento sobre os diferentes nutrientes e suas funções no organismo, desmistificando a ideia de que a proteína é o único nutriente essencial.
  • Autonomia: Incentivar os indivíduos a tomarem decisões alimentares conscientes, baseadas em suas necessidades e preferências individuais.
  • Mudança de hábitos: Auxiliar os indivíduos a desenvolver hábitos alimentares mais saudáveis através de estratégias como a substituição gradual de alimentos, o planejamento de refeições e a prática da mindfulness.

Conclusão

A moda das proteínas, embora aparentemente inofensiva, pode ter consequências negativas para a saúde e o bem-estar. Ao criticar essa tendência e ao promover uma abordagem mais equilibrada e humanizada da alimentação, os nutricionistas comportamentais podem contribuir para uma mudança de paradigma na forma como pensamos sobre a comida.

É fundamental lembrar que a alimentação é um ato complexo, influenciado por fatores biológicos, psicológicos e sociais. Ao reduzir a alimentação a uma simples equação nutricional, perdemos a oportunidade de desfrutar de uma das maiores alegrias da vida.

Referências: 

Referência: Scrinis, G. (2021). Nutricionismo: a ciência e a política do aconselhamento nutricional. São Paulo: Editora Elefante.

Dificuldades ou transtorno de aprendizagem? Como identificar os sinais e apoiar o seu filho

A identificação precoce das dificuldades ou transtornos de aprendizagem é fundamental para garantir o sucesso acadêmico e emocional das crianças.

* Por Dilaine Alves, Psicopedagoga Clínica e Institucional

A identificação precoce das dificuldades ou transtornos de aprendizagem é fundamental para garantir o sucesso acadêmico e emocional das crianças. Embora ambos os fenômenos possam afetar o desenvolvimento escolar, entender suas diferenças e como tratá-los pode fazer toda a diferença no processo de aprendizagem.

O que são dificuldades de aprendizagem?

As dificuldades de aprendizagem são comumente resultantes de fatores externos, como métodos pedagógicos inadequados, ambientes escolares desfavoráveis ou questões familiares. Estas dificuldades podem ser temporárias e, com a intervenção correta, superadas. Adaptações no ensino, apoio emocional e modificações no ambiente escolar costumam ser eficazes para mitigar esses obstáculos.

Causas e impacto das dificuldades de aprendizagem

De acordo com especialistas como Piaget e Vygotsky, a aprendizagem é uma habilidade natural da criança, que busca entender o mundo ao seu redor. Contudo, quando surgem barreiras no processo cognitivo sejam devido a aspectos emocionais, sociais ou pedagógicos, é essencial que pais e educadores ajam rapidamente para ajustar as estratégias de ensino.

Além disso, problemas físicos ou sensoriais, como dificuldades auditivas ou visuais não identificados, podem afetar a capacidade de aprender de uma criança, dificultando o desenvolvimento da linguagem e da leitura.

Os transtornos de aprendizagem: como identificá-los?

Ao contrário das dificuldades de aprendizagem, os transtornos de aprendizagem possuem uma base neurobiológica e são persistentes. Condições como dislexia, disgrafia e discalculia afetam diretamente as habilidades cognitivas da criança, comprometendo habilidades essenciais como leitura, escrita e matemática, independentemente do esforço ou da qualidade do ensino. Esses transtornos se manifestam de maneira mais clara à medida que as exigências acadêmicas aumentam, tornando-se mais evidentes durante o ensino fundamental.

Principais sinais dos transtornos de aprendizagem

É importante que pais, educadores e profissionais fiquem atentos aos sinais que podem indicar a presença de um transtorno de aprendizagem, como:

  • Dificuldade significativa em ler e compreender textos.
  • Erros frequentes de ortografia e gramática, mesmo com práticas constantes.
  • Escrita desorganizada e ilegível.
  • Dificuldade com conceitos matemáticos, comprometendo até operações simples.
  • Baixa velocidade e precisão na leitura, dificultando a execução de tarefas básicas.

Esses sinais, além de prejudicar o desempenho acadêmico, podem afetar a autoestima da criança, contribuindo para quadros de ansiedade e desmotivação.

Como os pais podem ajudar?

Identificar sinais de dificuldades de aprendizagem precocemente é essencial para que a criança receba o apoio adequado. Aqui estão algumas atitudes que os pais podem adotar:

  1. Observe o desempenho da criança em atividades cotidianas: Caso haja dificuldades frequentes em tarefas que são apropriadas para sua idade, é um sinal para investigar mais a fundo.
  2. Comunique-se com a escola: Os professores e coordenadores pedagógicos são essenciais na observação do progresso escolar e podem auxiliar na identificação precoce de dificuldades.
  3. Busque ajuda especializada: Psicopedagogos, psicólogos e neuropsicólogos são profissionais capacitados para avaliar e diagnosticar dificuldades e transtornos de aprendizagem, indicando as melhores estratégias de intervenção.
  4. Investigue a possibilidade de transtornos específicos: Se as dificuldades persistirem, pode ser necessário realizar testes especializados para identificar transtornos de aprendizagem, como dislexia ou discalculia.

O papel do psicopedagogo no tratamento

O psicopedagogo tem um papel crucial na avaliação e intervenção das dificuldades de aprendizagem. Ele atua como um mediador entre a criança, a família e a escola, realizando diagnósticos e propondo planos de intervenção que atendam às necessidades individuais da criança. Com um acompanhamento adequado, o psicopedagogo utiliza métodos personalizados para promover o desenvolvimento acadêmico e emocional da criança, garantindo que ela tenha o apoio necessário tanto na escola quanto em casa.

Como a nossa clínica pode ajudar?

Na Clínica Rezende, oferecemos acompanhamento especializado para identificar e tratar as dificuldades de aprendizagem de forma eficaz. Com uma abordagem integrada, focada em cada caso, garantimos que seu filho receba o suporte necessário para superar os desafios acadêmicos e se desenvolver de forma saudável e equilibrada.

Se o seu filho apresenta sinais de dificuldades de aprendizagem, não hesite em procurar orientação profissional. Nosso objetivo é trabalhar juntos, família, escola e clínica, para proporcionar à criança as melhores condições de aprendizagem e desenvolvimento.

Entre em contato conosco e agende uma avaliação!

Referências Bibliográficas

 AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. Tradução de M. I. C. de Jesus et al. Porto Alegre: Artmed, 2014. (Trabalho original publicado em 2013).

BOSSA, Nádia. O psicopedagogo e o trabalho com as dificuldades de aprendizagem. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007.

CAPOVILLA, F. C.; CAPOVILLA, A. G. S. Dislexia: Aspectos teóricos e terapêuticos. São Paulo: Artmed, 2010.

COLL, C.; PALACIOS, J.; MARCHESI, A. Desenvolvimento Psicológico e Educação: Necessidades Educativas Especiais e Aprendizagem Escolar. Porto Alegre: Artmed, 2004.

FONSECA, V. Dificuldades de Aprendizagem: Abordagem Neuropsicológica e Psicopedagógica. Porto Alegre: Artmed, 1995.

GEARY, D. C. Cognitive predictors of achievement growth in mathematics: A five-year longitudinal study. Developmental Psychology, v. 40, n. 4, p. 973–983, 2004.

GEARY, D. C. Mathematical Disabilities: A Cognitive Neuroscience Perspective. Educational Psychologist, v. 39, n. 1, p. 13-27, 2004.

PIAGET, J. A Epistemologia Genética. São Paulo: Abril Cultural, 1975.

SHAYWITZ, S. E. Overcoming Dyslexia: A New and Complete Science-Based Program for Reading Problems at Any Level. New York: Knopf, 2003.

VYGOTSKY, L. S. A Formação Social da Mente: O Desenvolvimento dos Processos Psicológicos Superiores. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

Solidão na Terceira Idade: Impactos na Saúde Mental e Como Ajudar

O isolamento social é uma triste realidade para muitos idosos, e seus impactos na saúde mental podem ser profundos. Sensibilizar a sociedade para esse tema é crucial, especialmente diante do aumento de pessoas mais velhas no Brasil.

* Texto por Helen Lima, em entrevista à Dra. Natália Salgado, psicogeriatra.

Solidão na Terceira Idade: Impactos na Saúde Mental e Como Ajudar

O isolamento social é uma triste realidade para muitos idosos, e seus impactos na saúde mental podem ser profundos. Sensibilizar a sociedade para esse tema é crucial, especialmente diante do aumento de pessoas mais velhas no Brasil. O Censo 2022 aponta que a população com mais de 60 anos chegou a 31,2 milhões, representando 14,7% dos brasileiros e marcando um aumento de 39,8% de idosos entre os anos de 2012 a 2021.

Condições físicas e cognitivas contribuem significativamente para a solidão entre os idosos. De acordo com a Dra. Natália Salgado, psicogeriatra da Clínica Rezende, a perda da autonomia e da independência causada por doenças como o Acidente Vascular Cerebral (AVC) e por distúrbios mentais como a Demência fazem com que a pessoa se torne dependente e perca o interesse por atividades que antes eram prazerosas. Ela cita, por exemplo, o medo de quedas.

“Esse medo gera uma ansiedade no idoso e faz com que ele evite sair de casa. Dessa forma, ele deixa de se encontrar com as pessoas, de frequentar a igreja, de se manter ativo numa atividade física, de se estimular cognitivamente ao fazer uma compra ou dirigir, por exemplo. Então, as doenças que levam a um impacto, seja na autonomia ou na independência, vão acarretar uma perda funcional, e essa perda vai ter diversas consequências, entre elas, o isolamento”, explica.

Lidando com as despedidas

À medida que os anos passam, é natural que a morte se torne mais presente no dia a dia, e o luto frequente também pode impactar a saúde psicológica dos idosos. “Seria importante que a nossa sociedade soubesse trabalhar com a finitude da vida, abordando os aspectos filosóficos relacionados a essa questão”, destaca a psicogeriatra, pontuando que um luto complicado pode ser fator de risco para transtornos mentais como depressão e ansiedade. Esses transtornos, se não tratados adequadamente, podem levar a atos extremos, como a tentativa de suicídio.

Os dados sobre o suicídio entre idosos são alarmantes. Segundo o Ministério da Saúde, entre 2010 e 2019, a taxa de brasileiros acima de 60 anos que tiraram a vida aumentou de 68 para 78 a cada 100 mil habitantes. De acordo com artigo publicado pela Escola de Enfermagem (EE) da USP, o suicídio entre idosos é 47% maior do que o restante da população, com um aumento significativo entre homens acima de 70 anos. A Dra. Natália alerta que os “3Ds” – desamparo, desespero e desesperança – são sinais de que o idoso pode estar em risco.

  • Desamparo: sentimento de solidão ou situações em que se percebe a falta de uma rede de suporte;
  • Desespero: ocorre quando a pessoa enfrenta situações sem aparente solução, como a perda de um cônjuge, mudança significativa na renda ou diagnóstico de uma doença grave;
  • Desesperança: quando o idoso demonstra falta de motivação, objetivos e, em maior escala, perda de sentido na vida.

O que pode ser feito?

Um bom primeiro passo para promover o bem-estar mental dos idosos é o rompimento de certos paradigmas. “Muitas vezes a sociedade ocidental, com destaque para o nosso país, entende que envelhecer é sinônimo de entristecer, ficar deprimido, irritado e rabugento, mas isso não é verdade”. Esses sinais indicam adoecimento mental e podem ser tratados com o acompanhamento de um profissional especializado, destaca a psicogeriatra.

Além de um eventual suporte clínico e psicológico, uma rede de apoio presente pode ajudar a evitar a solidão e o desenvolvimento de transtornos mentais entre os mais velhos. Familiares, amigos e cuidadores desempenham um papel essencial ao manter o idoso ativo e integrado socialmente. Programas comunitários, como grupos de apoio e atividades espirituais, são boas alternativas. O avanço da tecnologia também tem ajudado os mais velhos a manter vínculos, através do uso de redes sociais e chamadas de vídeo, por exemplo.

A Dra. Natália Salgado ressalta que promover o envelhecimento bem-sucedido envolve ainda a implementação de políticas públicas que incentivem a interação social, o lazer, a atividade física, a oferta de oficinas de capacitação para o uso de novas tecnologias e o acesso a tratamentos de saúde mental para os idosos. Como ela bem conclui, “envelhecer não significa, de forma alguma, adoecer”.

Descubra seu Estilo Parental

Faça o teste e identifique seus comportamentos e atitudes como cuidador.

* Por Laís Verçoza

Sabe-se que é através da família que são proporcionadas as primeiras possibilidades de interação da criança, e os pais e cuidadores desempenham um papel fundamental no comportamento e desenvolvimento dos filhos.

Nesse processo de socialização os pais utilizam diversas estratégias e técnicas que orientam seus comportamentos com os filhos, chamadas de práticas parentais, que podem ser divididas entre práticas indutivas e coercitivas. As práticas indutivas favorecem o desenvolvimento da autonomia no indivíduo, sinalizando as consequências dos comportamentos e levando a criança à reflexão e internalização dos valores familiares e o desenvolvimento da empatia. Já as práticas coercitivas são atitudes disciplinares que envolvem uso da força, punição física, privações e ameaças, na qual o diálogo e reflexão das atitudes não se fazem presentes.

Dentro das práticas parentais encontram-se os estilos parentais, que são definidos como atitudes direcionadas às crianças que criam um clima emocional entre pais e filhos e possuem três dimensões:

Responsividade – caracterizada por atitudes compreensivas dos pais e pelo apoio emocional que favorecem a autonomia e autoafirmação.

Exigência – são todas as atitudes dos pais que buscam controlar o comportamento dos filhos com limites e regras.

Afeto – Formas de expressar amor através de gestos, atitudes e palavras.

Esses três aspectos – exigência, a responsividade e o afeto – na devida proporção e combinação, formam os estilos parentais.

A qualidade dos cuidados parentais tem sido apontada como a variável mais importante para um  desenvolvimento infantil saudável e positivo.

Qual é o seu estilo enquanto cuidador? Esse questionamento nos convida a pensar quem estamos sendo nos cuidados com nossos filhos e o que estamos querendo transmitir em termos de valores para aquele que cuidamos. Vamos conhecer um pouco dos 4 estilos parentais?

 

Estilo Permisso por Escolha (indulgente):

São pais com responsividade e afeto, mas pouco exigentes. Não conseguem estabelecer limites realistas para os filhos e nem conversar e orientar sobre as consequências de seus comportamentos. Para evitar discussões, acabam cedendo o que o filho quer. É o filho quem manda na casa e faz tudo o que quer. O cuidador sente-se impotente e ineficaz e a criança não estabelece limites adequados para se relacionar com o mundo,  tornando-se intolerante à frustração, não suportando quando seus desejos/impulsos não são atendidos.

 

Estilo Permisso por Falha (negligente):

Cuidadores não são exigentes nem afetivos. Envolvem-se pouco na vida dos filhos e não os monitoram. Não há regras, limites e conversas entre pais e filhos. Os beijos, abraços e tempo de qualidade com as crianças são raros. São pais ocupados que não tem tempo para o filho e conhecem pouco sobre seus gostos e vontades. O cuidador responde apenas às necessidades básicas da criança. Como consequências  os filhos não se sentem amados e nem compreendidos. Podem apresentar fraco desempenho escolar, depressão, estresse, pessimismo, baixa autoestima, comportamentos antissociais e dificuldade com limites e regras.

 

Estilo autoritário:

Regras e limites muito rígidos e inflexíveis. São cuidadores bastante punitivos e pouco afetivos e responsivos. Não escutam opinião dos filhos e eles não participam de decisões e escolhas. São impositivos sem prestar atenção nas emoções e nos desejos das crianças. Pouco afetivos e participativos. Filho obedece por medo e não por entender as consequências e podem apresentar habilidades sociais pobres, submissão exagerada, baixa autoestima, depressão, ansiedade e estresse elevado.

 

Estilo Autoritativo/Assertivo/Participativo:

Combina afeto, responsividade e exigência. Colocam regras e limites, mas com equilíbrio e com a participação do filho. Incentivam o diálogo. Consideram os sentimentos e opiniões da criança, fazendo-o participar de decisões e escolhas. Tem tempo de qualidade com a família e as demonstrações de carinho e afeto são frequentes. As consequências para os filhos são autoestima elevada, desenvolvimento da tolerância à frustração, das habilidades sociais, otimismo, menores níveis de depressão e estresse. São crianças que sentem-se pertencentes a família, amadas e compreendidas pelos pais, conseguindo lidar de forma mais assertiva e resiliente  nas adversidades da vida.

 

Toda criança está em constante desenvolvimento e neste percurso se espelham nos pais, imitando comportamentos e seguindo suas orientações. Assim, o modo como o relacionamento entre pais filhos irá se estabelecer influenciará de forma diferente o desenvolvimento de cada criança. Descobrir quais práticas você utiliza com mais frequência na educação possibilita um melhor entendimento das reações do seu filho e oportuniza mudanças necessárias de conduta. Importante que os pais busquem adquirir novos conhecimentos, rever algumas atitudes, levantar reflexões e encontrar a melhor maneira de lidar com os filhos e contribuir com o desenvolvimento dele.

Qual o seu Estilo Parental? Faça o teste abaixo:

Vamos tentar descobrir qual Estilo Parental está mais próximo do seu? Segue abaixo um teste para ajudá-lo a identificar como estão seus comportamentos e atitudes como cuidador.

Assinale abaixo os itens que mais se adequam ao seu dia-a-dia:

Estilo 1

( ) Tem regras rígidas que devem ser seguidas à risca e nunca mudam.
( ) Disciplina é punir, colocar de castigo ou bater. Palmadas são necessárias, você também foi criado assim.
( ) Seu filho não tem direito a opinião, afinal de contas, você é o pai e sabe o que é melhor para ele.
( ) Não há necessidade de explicar para seu filho o porquê de fazer determinada atividade, ele tem que obedecer sempre.
( ) Não há a necessidade de abraços, beijos ou dizer que ama seu filho o tempo todo, pois isso vai lhe deixar mimado.

Estilo 2

( ) Não há regra nenhuma para seu filho seguir ou qualquer limite, pois você tem pouco tempo com ele.
( ) Seu filho deve ser responsável. Não há necessidade de recompensá-lo ou punir seu comportamento.
( ) Você não tem muito tempo e sustentar seu filho é mais importante do que saber o que ele pensa.
( ) Não há conversas entre pais e filhos.
( ) Os beijos e abraços são raros. O seu filho sabe que você o ama.

Estilo 3

( ) Há poucas regras. Seu filho precisa de liberdade para crescer.
( ) Para evitar que seu filho chore ou que haja discussões, você sempre acaba cedendo e dando o que ele quer.
( ) É seu filho quem manda. Você faz tudo o que ele quer. Ele não deve se aborrecer.
( ) Quando está aborrecido com seu filho, não diz a ele, pois ele só precisa saber de sentimentos felizes.
( ) Abraçar, beijar, dizer que ama o filho, são uma prática frequente, pois você considera extremamente importante ele se sentir amado.

Estilo 4

( ) As regras e limites são estabelecidos de forma clara ao seu filho, sendo explicado a ele cada uma delas.
( ) Para disciplinar é necessário apontar os comportamentos inadequados, sem punição, assim como elogiar e recompensar os comportamentos adequados.
( ) Você conversa com seu filho, explica a ele as consequências dos comportamentos e também escuta a sua opinião.
( ) Você se comunica frequentemente com seu filho, sabe de suas necessidades e pensamentos e quando necessário ajusta alguma regra.
( ) As demonstrações de carinho são frequentes. Você brinca e se diverte com seu filho.

Veja qual é o seu estilo parental:

Estilo 1: Estilo Autoritário. Alto nível de exigência e pouca responsividade. São pais que impõem regras inflexíveis e demonstram pouco ou quase nenhum afeto. Geralmente os filhos apresentam características
maiores de isolamento e ansiedade. Podem se tornar submissas, com baixa autoestima e dificuldades maiores de socialização.

Estilo 2: Estilo Negligente. Pouca exigência e responsividade. São pais que não estabelecem regras e limites e não demonstram afetividade e interesse pelos filhos. É o estilo que mais traz consequências negativas para a criança. Os filhos geralmente apresentam desempenho escolar ruim, problemas de
comportamento, baixa autoestima e não se acham capazes de fazer nenhuma atividade.

Estilo 3: Estilo Permissivo. Pouca exigência e muita responsividade. São pais que estabelecem poucas regras e são muito afetivos. As crianças geralmente têm mais dificuldade para lidar com frustrações, podem ser mais intolerantes com regras e limites ou se julgarem incapazes.

Estilo 4: Estilo Autoritativo. Nível de exigência e responsividade adequados. São pais que estabelecem regras e limites e demonstram afetividade e interesse pelos filhos. É o melhor estilo parental e que traz mais benefícios à criança.

Referência:

Weber, L. Eduque com carinho: equilíbrio entre amor e limites. Curitiba: Juruá, 2012.

Como a Introdução Alimentar pode ajudar a evitar Transtornos Alimentares no futuro?

Como então ensinar o bebê a comer e como a introdução alimentar pode
evitar o desenvolvimento de seletividade alimentar no futuro e até mesmo de transtornos alimentares?

* Por Mariana Mendes

Como a Introdução Alimentar pode ajudar a evitar Transtornos Alimentares no futuro?

O leite materno é o primeiro alimento que o bebê consome quando nasce.
Ele é responsável por fornecer nutrientes, proteção imunológica e estabelecer uma conexão afetiva entre mãe e filho.

O bebê começa a fazer contato e conhecer novos alimentos ao completar 6 meses, quando começa a fase de introdução alimentar. Essa fase dura até os 24 meses e traz muitas descobertas e novidades para a família toda. Além disso, é fase mais importante para a saúde futura do bebê, pois a nutrição tem um papel fundamental para o seu desenvolvimento físico, mental, intelectual, cognitivo, emocional e social.

Comer não é um ato instintivo e simples como muitas pessoas imaginam,
mas sim um comportamento ensinado e aprendido, que depende do
desenvolvimento de habilidades motoras orais e sensoriais.

Como então ensinar o bebê a comer e como a introdução alimentar pode
evitar o desenvolvimento de seletividade alimentar no futuro e até mesmo de transtornos alimentares?

• Deixe o bebê tocar e explorar os alimentos

O bebê deve adquirir autonomia alimentar e desenvolver uma relação positiva com os alimentos, que acontece através do contato direto com eles. Permita que o bebê explore os alimentos com as mãos e leve-os até a boca. A bagunça faz parte desse processo!

• Crie um ambiente seguro e confortável para as refeições.

Para que os bebês se sintam seguros ao experimentar novos alimentos, é
necessário criar um ambiente saudável, acolhedor e respeitoso. Na hora da
refeição, coloque sempre o bebê na cadeira de alimentação e não use nenhum tipo de tela. Também é importante que a refeição aconteça sem pressa e sem pressão para que o bebê coma.

• Crie memórias positivas

Não há nada melhor do que lembrar de uma comida saborosa da infância e um momento especial na hora da refeição, não é mesmo?

Os sentimentos e emoções estão também envolvidos na alimentação e são
responsáveis pelo aprendizado alimentar. Portanto, aproveite a introdução
alimentar para fortalecer a conexão familiar e criar memórias afetivas. Sempre que possível, faça as refeições com o bebê, coma os mesmos alimentos, converse com ele e incentive.

• Atenção aos sinais de saciedade

Sentir-se inseguro sobre a quantidade que o bebê come é normal. Às vezes
também pode parecer que ele está comendo muito ou comendo pouco. No
entanto, é importante salientar que os bebês possuem um mecanismo de
controle de saciedade que funciona muito bem, o que significa que eles sabem quando estão cheios e precisam parar de comer. Por isso, fique atento e confie nos sinais emitidos pelo bebê!

Todos esses fatores são responsáveis por ajudar o bebê a desenvolver
uma relação saudável com a comida desde a introdução alimentar e tornar o
aprendizado alimentar mais fácil e respeitoso, contribuindo assim para a
prevenção de transtornos alimentares no futuro e para o desenvolvimento de uma vida mais leve e saudável.

E lembre-se de que ter acesso a conhecimento e informações de
qualidade para conduzir a introdução alimentar é crucial, por isso o
acompanhamento multiprofissional é fundamental!

Suporte psicológico na prevenção e tratamento de transtornos alimentares

O profissional de saúde mental ajuda o paciente a entender suas emoções e comportamentos referentes à comida, além de desenvolver estratégias para lidar com os gatilhos e manter uma relação saudável com a alimentação.

*Texto por Helen Lima, em entrevista à Laís Pereira, psicóloga.

Suporte psicológico na prevenção e tratamento de transtornos alimentares

O profissional de saúde mental ajuda o paciente a entender suas emoções e comportamentos referentes à comida, além de desenvolver estratégias para lidar com os gatilhos e manter uma relação saudável com a alimentação.

Os transtornos alimentares são condições complexas que afetam a saúde física e mental de milhares de pessoas. Segundo estudo publicado em 2023 na revista científica Jama Pediatrics, um em cada cinco jovens de 6 a 18 anos apresenta esse tipo de doença.

Reconhecer os sinais de alerta e buscar ajuda profissional é essencial para prevenir e tratar o problema. Para entender melhor a importância do suporte psicológico nesse processo, entrevistamos Laís Helena Pereira, psicóloga da Clínica Rezende e Aprimorada Interdisciplinar em Transtornos Alimentares pelo Ambulim – IPq HC-FMUSP.

Causas e Predisposições

Os transtornos alimentares são multifatoriais, originados por motivações de ordem psicológica, biológica e/ou social. “O contexto cultural que valoriza a magreza contribui significativamente”, explica Laís Pereira. Ambientes em que as pessoas consideram o corpo magro como sinônimo de beleza, sucesso, conquista e, até mesmo, áreas profissionais que enfatizam a aparência física, como a moda, os esportes e a nutrição, também podem aumentar o risco de incidência.

Esses fatores culturais e sociais colaboram, inclusive, para justificar a prevalência de transtornos alimentares em pessoas do gênero feminino. “As mulheres enfrentam uma pressão social intensa para manter um corpo magro desde a infância e adolescência. Além disso, estão mais propensas a desenvolver baixa autoestima e outros tipos de adoecimentos mentais, como ansiedade e depressão, que podem contribuir para o surgimento de transtornos alimentares.”

Outras causas de origem psicológica incluem a baixa autoestima, perfeccionismo e pouco repertório de habilidades sociais. Biologicamente, uma predisposição genética também pode estar presente, especialmente se há histórico familiar de transtornos alimentares. A obesidade infantil e a entrada precoce na puberdade também são fatores observados como possíveis causas para esse tipo de distúrbio.

A psicóloga destaca a importância de considerar diversos aspectos da vida do indivíduo e como ele se relaciona com essas questões, já que nenhum fator isolado é suficiente para desencadear um transtorno alimentar.

Identificando os Sinais de Alerta

Segundo a especialista, os primeiros indícios da doença são geralmente sutis e envolvem o que ela chama de “comer transtornado”. “Os comportamentos de risco incluem uso de medicações para emagrecer, exercícios físicos excessivos, indução de vômito, jejuns prolongados e uma relação emocionalmente conturbada com a comida. Essas atitudes demonstram que a interação entre a pessoa e o alimento está longe de ser saudável e tranquila.”

Além disso, ela explica que o indivíduo pode experimentar sentimentos intensos de ansiedade e medo antes de comer, seguidos por culpa e arrependimento após as refeições. Alterações na vida social também são comuns, como evitar de se alimentar em público. “Comer em desconexão com o próprio corpo, seguindo regras alimentares rígidas, também é um sinal importante de alerta”, complementa.

Leia também:

A atuação do nutricionista no tratamento de transtornos alimentares

Impactos clínicos dos transtornos alimentares

O Caminho da Recuperação

Laís Pereira destaca que o processo de tratamento dos transtornos alimentares é individualizado, longo e exige um esforço contínuo. “Embora não consideremos que esse tipo de distúrbio seja curado, é possível alcançar a remissão dos sintomas e desenvolver habilidades para lidar com eles”. A recuperação deve envolver uma equipe multidisciplinar, incluindo psiquiatras, nutricionistas e, em alguns casos, fisioterapeutas e educadores físicos.

A psicóloga aponta que um dos maiores desafios é a aceitação desse processo por parte do paciente. “Muitas vezes, os pacientes veem o transtorno como parte de sua identidade, o que dificulta a adesão e a superação de outros desafios do tratamento.”

O Papel Crucial do Suporte Psicológico

O acompanhamento psicológico é fundamental tanto na prevenção quanto no tratamento dos transtornos alimentares. “O psicólogo ajuda o paciente a entender suas emoções e comportamentos referentes à comida, além de desenvolver estratégias para lidar com os gatilhos e manter uma relação saudável com a alimentação”, explica Laís Pereira.

Para quem suspeita que possa estar sofrendo de um transtorno alimentar ou conhece alguém nessa situação, a mensagem é clara: procure ajuda profissional. “Os transtornos alimentares são problemas sérios de saúde mental que requerem tratamento especializado e uma abordagem multidisciplinar”, conclui a especialista. “Não hesite em buscar apoio para cuidar da sua saúde física e psicológica.”

A atuação do nutricionista no tratamento de transtornos alimentares

Profissional contribui para desmistificar crenças sobre alimentação e ajuda a promover uma relação saudável com a comida.

* Texto por Helen Lima, em entrevista ao Felipe Barreto, Nutricionista.

A atuação do nutricionista no tratamento de transtornos alimentares

Profissional contribui para desmistificar crenças sobre alimentação e ajuda a promover uma relação saudável com a comida.

Pessoas que possuem transtornos alimentares devem contar com o auxílio de diferentes profissionais de saúde que, de forma coordenada, podem promover um tratamento mais eficaz e integral, abordando os aspectos físicos e emocionais desses distúrbios. Ao focarmos no papel do nutricionista, podemos observar uma série de contribuições, que vão desde a conscientização à recuperação segura do peso do paciente.

De acordo com Felipe Barreto, nutricionista da Clínica Rezende, “a atuação do nutricionista no tratamento de transtornos alimentares, como Anorexia Nervosa, Bulimia Nervosa e Transtorno de Compulsão Alimentar, é fundamental e envolve várias estratégias”. Confira, a seguir, alguns exemplos listados pelo profissional:

  1. Avaliação Nutricional

É realizada uma avaliação detalhada do estado nutricional do paciente, identificando deficiências, padrões alimentares e comportamentos relacionados à alimentação;

  1. Intervenção Alimentar Individualizada

Quando necessário, são feitas intervenções alimentares adaptadas às necessidades e condições específicas de cada paciente, com o objetivo de restaurar a nutrição adequada, promover hábitos alimentares saudáveis e recuperar o peso de forma segura. Vale destacar que a intervenção não é o mesmo que dieta restritiva;

  1. Educação Nutricional

Nutricionistas fornecem informações e orientações sobre alimentação equilibrada e a importância dos nutrientes, ampliam o olhar da comida para além dos ingredientes e orientam sobre como melhorar a relação com a comida;

  1. Suporte Emocional e Motivacional

 Agindo em parceria com psicólogos, psiquiatras e outros profissionais de saúde, nutricionistas formam uma rede de apoio do paciente, ajudando a lidar com medos alimentares, distorções cognitivas e comportamentos alimentares prejudiciais;

  1. Monitoramento e Ajustes

Acompanhamento regular do progresso do paciente, ajustando sua alimentação conforme necessário e monitorando sua saúde de forma geral.

Felipe Barreto reforça que a abordagem do nutricionista deve ser individualizada e centrada no paciente, garantindo que as intervenções sejam adequadas às necessidades específicas de cada indivíduo.

Combatendo os mitos nutricionais

 O profissional de nutrição também desempenha um papel importante ao conscientizar as pessoas sobre terrorismos nutricionais que são amplamente disseminados nas redes sociais. A fim de promover uma relação saudável com os alimentos, Felipe Barreto derruba alguns dos principais mitos presentes no universo das dietas. Certamente você já deve ter ouvido algum deles, confira a seguir:

“Carboidratos engordam”

“Muitas pessoas acreditam que todos os carboidratos são ruins e devem ser evitados para manter o peso ou emagrecer. Isso pode levar a uma restrição excessiva e a um possível gatilho para exagero com os alimentos ricos nesse nutriente. Carboidratos são essenciais para a energia e funcionamento adequado do corpo, e devem ser consumidos de forma balanceada, assim como a proteína e a gordura, por exemplo”.

“Comer gorduras faz mal à saúde”

“Existe um medo generalizado de todas as gorduras, levando algumas pessoas a evitarem completamente esse macronutriente. No entanto, algumas gorduras como as encontradas em abacates, nozes e azeite de oliva, são cruciais para a saúde do coração e do cérebro. A demonização geral das gorduras não ajuda em nada as pessoas a tomarem melhores decisões alimentares, pelo contrário”.

“Pular refeições ajuda a emagrecer”:

“Deixar de fazer algumas refeições, especialmente o café da manhã, é visto por muitos como uma estratégia para perder peso. No entanto, isso pode levar a uma fome maior na parte da tarde, episódios de exagero alimentar e até ser um gatilho (dentre outros) para um episódio de compulsão alimentar. Comer regularmente ajuda a manter níveis de energia estáveis e um metabolismo saudável”.

“Dietas Detox”

“As dietas detox são promovidas como necessárias para eliminar toxinas e promover a saúde. A questão é que o corpo humano já possui mecanismos naturais de desintoxicação, principalmente através do fígado e dos rins. Essas dietas podem ser restritivas e resultar em deficiências nutricionais e desordens alimentares”.

“Alimentos conhecidos como ‘porcarias’ devem ser completamente evitados”

“A categorização de certos alimentos como ‘bons’ ou ‘ruins’ pode levar a uma relação disfuncional com a comida. Todos eles podem ter um lugar em uma alimentação equilibrada e a moderação é a chave. Restringir severamente certos produtos pode aumentar o desejo por eles e desencadear comportamentos alimentares compulsivos”.

Os transtornos alimentares são identificados a partir de sinais como a preocupação excessiva com peso e aparência, alterações significativas nos hábitos alimentares, comportamentos compensatórios, tais como uso de laxantes e diuréticos, exercícios físicos em excesso e rituais alimentares rígidos. Felipe Barreto reforça a importância de uma intervenção ágil no tratamento desses distúrbios. “Tratam-se de problemas sérios de saúde mental, que requerem tratamento especializado e uma abordagem multidisciplinar. Não hesite em procurar apoio e cuidar de sua saúde física e psicológica”.

Confira também:

Nosso podcast com 4 episódios sobre Transtornos Alimentares.

Impactos clínicos dos Transtornos Alimentares

* Por Dra. Luiza Junqueira, nutróloga.

Impactos clínicos dos Transtornos Alimentares

Os transtornos da conduta alimentar são doenças psiquiátricas que compreendem um grupo amplo de distúrbios caracterizados por alterações do comportamento alimentar com graves complicações clínicas.

São doenças multifatoriais que possuem fatores predisponentes como os biológicos, genéticos, psicológicos e socioculturais, assim como fatores precipitantes como dietas e eventos estressantes.

A abordagem desses distúrbios deve ser integral com equipe especializada multidisciplinar composta por Psiquiatra, Psicólogo e Nutricionista. E além desses profissionais destaco hoje a importância do acompanhamento Médico Clínico, uma vez que cursam com alterações orgânicas que podem ser causa ou consequência do comportamento alimentar.

Anorexia Nervosa

Na Anorexia Nervosa, a restrição dietética severa resulta na desnutrição calórica-proteica que leva a mudanças fisiopatológicas. Ocorre redução da massa de gordura assim como da massa muscular corporal, alterações hormonais, aumento do colesterol, disfunções hematológicas como anemia e alterações imunológicas. Algumas mudanças no funcionamento do organismo podem perpetuar a doença como esvaziamento gástrico demorado, plenitude gástrica, inibição da alimentação.

A Osteopenia/Osteoporose é uma das alterações mais graves, pode levar a fraturas patológicas e em pacientes jovens comprometer o desenvolvimento causando baixa estatura. Alteração da função sexual e reprodutiva ocorre também em grande parte dos pacientes e é comum alteração do ciclo menstrual como amenorreia. No exame físico podem ser detectadas alterações cardíacas como bradicardia, arritmia cardíaca e hipotensão, além de alterações de pele e pelos, resultante da desnutrição e desidratação.

Bulimia Nervosa

Na Bulimia Nervosa as alterações orgânicas são decorrentes tanto dos episódios compulsivos como dos purgativos. O vômito induzido por levar a esofagite, aumento das glândulas parótidas, abrações dentárias, cáries e ulcerações no dorso das mãos. O uso inapropriado de laxantes, diuréticos e o próprio vomito podem resultar em distúrbios hidroeletrolíticos causando fraqueza muscular, cãibras, arritmia cardíaca e em casos graves levar a insuficiência cardíaca. Também é frequente o diagnóstico de anemia, seja por deficiência nutricional, por sangramento ou pelo uso de laxantes.

Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica

No Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica a ingestão exagerada e compulsiva de alimentos, normalmente de alto teor calórico, resulta em doenças associadas como Obesidade, Diabetes, Dislipidemia, Doenças Cardiovasculares, Cálculo Biliar e alguns tipos de Câncer.

Os exames laboratoriais são exames complementares que não tem papel no diagnóstico, mas sim na avaliação de complicações tais como: hipercolesterolemia, hipoglicemia, anemia, redução de sódio, potássio, magnésio e fósforo; deficiência de vitaminas e minerais como ferro, zinco, vitamina B12; alterações hormonais como redução de T4, redução da testosterona, aumento do cortisol e da insulina, entre outras.

  • Importante destacar que em muitos casos o paciente procura atendimento profissional devido a algumas das alterações clínicas descritas, ainda sem o diagnóstico de transtorno alimentar. Assim cabe ao profissional realizar uma anamnese minuciosa, com atenção aos hábitos de estilo de vida, para suspeitar de um distúrbio de comportamento alimentar e propor o tratamento o mais precoce possível.

Reforço, portanto, a importância do acompanhamento com equipe multidisciplinar e a atenção aos dados objetivos do exame clínico para uma abordagem completa do paciente.

A diferença entre alimentos saudáveis e nutritivos

* Por Felipe Barreto

A diferença entre alimentos saudáveis e nutritivos. O que você não sabe, mas precisa saber.

Quando rotulamos os alimentos como saudáveis e não saudáveis caímos em uma dicotomia que atrapalha mais do que ajuda.

Isso não significa que não exista alimentos mais nutritivos do que outros, um ovo é claramente mais nutritivo do que um copo de refrigerante. A questão é quando usamos apenas o critério dos nutrientes para definir o que vamos comer.

Certa vez eu estava almoçando na casa de minha mãe, e de canto de olho, observei o quanto de azeite (era muito, mesmo) que ela colocava na salada, admito que fiquei assustado, mas preferi não comentar nada na hora. Mais tarde fui perguntar o porquê dela colocar aquela quantidade de azeite, e sabe o que ela me respondeu? “Porque é saudável, não?”.

Entende o perigo de colocar o rotulo de saudável no alimento e achar que por ser saudável, eu posso comer o quanto eu quiser ou “quanto mais melhor”?

Mas afinal, azeite é saudável ou não? Depende da quantidade, afinal é um gordura e gordura tem muita energia (kcal), isso pode aumentar e muito a quantidade calórica diária. Então você deve ter medo de azeite? Não, está tudo bem temperar a sua salada ou refogar o seu frango, porém, o raciocínio nunca deve ser “quanto mais melhor”.

Colocar o rótulo de saudável em um alimento não deve te dar carta branca para consumi-lo em excesso ou de maneira irresponsável.

O mesmo acontece com os doces ou alimentos recreativos (pizza, hambúrguer…), se você julga como proibido ou não saudável, é esperado que você talvez tente eliminar ele da sua vida, o que seria improvável de acontecer (caso você goste desses alimentos).

Você não precisa tentar parar de comer esses alimentos que tem funções sociais, emocionais, e sim tentar comer com menos frequência e intensidade. A única maneira de isso acontecer é se você melhorar a sua relação com esses alimentos, e sabe uma ótima maneira de começar a fazer isso?

Diminuindo os rótulos/julgamento com a comida.

Sei que não é uma tarefa fácil, afinal de contas vemos diariamente nas redes sociais todos os tipos de terrorismo nutricional: Açúcar mata, tal comida é um veneno, se comer carboidrato à noite você vai engordar, entre tantos outros posts “clicáveis”.

Não existe nenhum alimento isolado que é capaz de trazer grande prejuízo isoladamente, o que pode te trazer problemas no longo prazo é sim uma alimentação desequilibrada, desorganizada, associada a uma vida sedentária.

Precisamos parar de colocar a culpa em um alimento especifico (alô, doce!), e começar a olhar para a alimentação com a importância que ela merece para além de só seguir uma dieta.

Ansiedade na pele

Saiba como os transtornos emocionais se manifestam em nosso corpo.

* Texto por Helen Lima, em entrevista à Dra. Marina Ferreira, Dermatologista.

Ansiedade na pele

Saiba como os transtornos emocionais se manifestam em nosso corpo.

Você já parou para pensar em como a saúde física e mental estão relacionadas? Em momentos de estresse, por exemplo, algumas pessoas perdem o apetite, enquanto outras comem além do habitual. Nos dois casos, esses comportamentos podem levar a sintomas desconfortáveis, como náusea e dor de cabeça.

A pele, maior órgão do corpo humano, tem a capacidade de tornar parte das nossas emoções visíveis, devido às milhares de terminações nervosas presentes em sua estrutura. Dermatite atópica, acne e psoríase estão entre os exemplos mais comuns dessas manifestações. A Dra. Marina Ferreira, Dermatologista da Clínica Rezende, explica que as interações entre distúrbios da pele e mente podem ser divididas em três grupos. Confira, a seguir, uma breve explicação sobre cada um deles:

Doenças Psicofisiológicas: “são aquelas que ocorrem quando fatores emocionais desencadeiam sintomas físicos nos pacientes, como certos casos de coceiras na pele e até mesmo uma queda capilar intensa, chamada eflúvio telógeno agudo”;

Doenças psiquiátricas primárias: “alguns distúrbios psiquiátricos têm a capacidade de provocar lesões que, em geral, são autoinduzidas, ou seja, são provocadas pelo próprio paciente, como o hábito de roer unhas em momentos de nervosismo e arrancar os fios de cabelos de forma compulsiva”;

Doenças Psiquiátricas secundárias: “existem também as condições psiquiátricas secundárias a doenças dermatológicas, que podem surgir como consequência de doenças cutâneas com risco de vida, como o melanoma; casos de desfiguração, como vitiligo e alopecia areata; manifestações intensamente pruriginosas ou dolorosas, como a dermatite atópica; e até mesmo uma patologia relativamente menos grave, mas que causa um sofrimento significativo ao paciente.

Como podemos observar, a relação entre saúde da pele e saúde mental é bilateral. A Dra. Marina compara essa interação a um “ciclo vicioso”, que torna o tratamento mais complexo e individualizado. “Em meu consultório, vejo que as pessoas que sofrem com doenças como acne e psoríase apresentam mais chances de apresentar transtornos de ansiedade, depressão e ideação suicida do que outros pacientes e até mesmo a população em geral. Por outro lado, esse estresse psicológico também pode acabar piorando suas doenças na pele”, explica.

A fim de melhorar a qualidade de vida desses pacientes, a dermatologista aponta como fundamental a parceria com psicólogos e/ou psiquiatras. “Doenças da pele causadas ou influenciadas por fatores emocionais afetam negativamente a autoimagem, autoestima e autoconfiança das pessoas, aumentando o risco de doenças como ansiedade e depressão”. Ela conclui reforçando a importância do cuidado interdisciplinar para buscar melhores resultados. “Não apenas para o tratamento de doenças psiquiátricas envolvidas, mas também para uma evolução clínica mais favorável de um paciente ao longo de sua condição de pele, precisamos dos psiquiatras e psicólogos”.

Sempre que for possível, certifique-se de contar com uma equipe de profissionais especializados, empáticos e dedicados a atuar de forma conjunta em prol do seu bem-estar.